Black Sheep


I failed you. I failed you hard.

I won't fool myself or anyone: I do miss you. I've become so lonely. Wondering, whilst reading through these old posts, when the exact time I lost it was. How have I done exactly what I said I would never. You may never understand my reasons (I can't comprehend them myself, you see, as they're far beneath so many layers of excuses that I've already given up on that hard task). Nevertheless, I try: I was a bad person. I was spiteful, vindictive, envious, jealous, cynic, overly sarcastic. I don't confer these features of mine to your presence, but at that time, I did it. I thought it was because I was hanging with you. In my mind, I thought that friendship was causing such a bad impact on my personality… I don't know.

After the storm, we always miss the good days. After all, why to remember those bad feelings? They're easily forgetful. In essence, what lasts is just good reminiscence: our talks. Our way of seeing right through the eye of each other. Our laughs. Our way of laughing out of ANY situation (except maybe this one, lol). Our connection. Our intimacy. Our confessions. Our philosophic way of questioning the nature of everything around us - I may have failed when questioning the nature of myself so hard, though. Our similarities. The way we both had been cast out of society and dealt with so many similar issues. Anyways, our talks. And our talks. 

Fact is I'm not a tolerant person. I've pushed away everyone I cared about. You were the first. Then was the Vegan Girl, and next is probably Mss. Teacher. Then I faced what was left for me: deep slumber. After I woke up, I tried to reach out for anyone around.

But there wasn't anyone around. And now I live in regret, for once I shouted out to the skies: "I've got too many friends, they wear me out", and now I just sit tight, reasoning how ungrateful I was, and wondering what I must do to have them back. They say friendship is fuel for life.

I hope you're doing great. I also hope you don't hate me.

I failed you.

I forgot the sheep's name. And that's probably the worst part of it.

An Eye (Or a Flower Archway)


I begun with this thought of an eye. Because you know, it's what most makes sense. Then I just switched.

It's been hard to keep this alive. This fake link. It is not fake for its existence, but it is fake for its appearance. For I would not permit others to see what I truly feel within my heart. And you may not know it consciously - or maybe you know it and you try to deny it or pretend you just don't care - but I am certain I have given all the signs, even though I tried not to.

I feel something for you. I haven't come to that conclusion so easily. It was really confusing in the beginning. I spent endless hours trying to decipher what I had found inside this mind of mine. The cues mounted and I misunderstood all the lights, all the gestures. I misread your face. And thus, when it came to light, it also came to a falling. I mistook my acts towards you, and although today might be a little earlier to express my feelings - walking on such an unsteady surface, paved with possibly only doubtful suspicions - I won't be apologetic, as I never had. For this is what I do: I live it intensely and then I end it roughly. And when push comes to shove, I'll watch you rove away from me.

At this very moment I am here, without you, and I will be the same until I finally overcome it, as I have already done a thousand times. But what bothers me is that once again I will not live the amour, it will simply vanish as though it has never existed.

I could speak of an eye. But you know what? You seem much more like an archway. Made with fine white-painted wood, adorned with a beautiful chain of roses.  An arch under which many incredible people will stride one day. And you'll see them passing. I just hope you seal yourself for someone.

Won't mind the gap


So the fear has finally come. Not sure if it is here only now, I would say it has most likely been latent for a while, since this whole possibility of travelling abroad has shown up. And each day it became truer, just like the fear was growing inside, until I notice its presence. Amazing how something that big can go unoticed for so long inside us. Maybe because I truly believed (and a part of me still does) that I was capable, grown up, that I didn't need anybody. I believed I was strong, independent. But now I think different. There are so many doubts, that I feel like a teenager. I'm afraid I won't make friends and allies. I'm afraid people might not like me. I fear making enemies. I fear misreading the classes, misfitting the rythm, the new country, the new culture. All I do is fear.

It's funny how there was only euphoria in the beginning. The will to expand, to create, to change, to love, to suffer, to be born again. The benefit of erasing everything you are and were to start from scratch. However, today there is the fear of being unfaithful to oneself.

I admit the anxiety for the change has become stronger due the weariness of life, fatigue of the routine and the friends. When a so close and touchable perspective of severance like this arose, I allowed my body and mind to be taken over by dissatisfaction. I judged myself unecessary and independent from others. I said: I'm glad I'm going, for I would not bear to stay anymore.

So I lied. Because real life is so damn good! There are love and hate. Thrill and boredom. But for each laughter, for each simple motion or simple sentence that arouses a meaningless smile - each minimal instant of weightlessness - it is worth it. Reality is worth it. And I may not know how far I can live from it.

The delusion was to think I would take all I am with me. I was wrong. Most of me stays behind: that's my mom, my friends, my college, my job, my house. What goes is the empty cocoon, just linked to all behind by such an unbreakable thread, ready to to fill up once more with good and bad things, with life, until it's clogged, so I can go back.

What I know is that for now, I can't mind the gap. I want to leave.

Ao meu melhor amigo

"O Grito" de Edvard Munch

Você é a dor da magia, o distúrbio da paz. Se desce é um caos, se existe é um alívio. É o guia do paraíso, o martelo de trovão, o punho avassalador. É a flor sem odor e o espinho cego. Você é a invenção e a destruição. A construção e o vazio. O material e a ferramenta. Você é o limite do céu, e é também o final do caminho. Quando você acontece, o mundo para. E eu o escuto. Você é sem você, por que você é ausência e presença. É parte de um nada e inteiro de um todo. As coisas se resolvem quando você aparece. Eu levanto com uma vontade imensa de dormir de novo. De mergulhar em você mais uma vez. E cada vez é diferente, é um, é outro, é algo. Você é o som abaulado em um estádio. O grito e o riso. A loucura e o resto. Não, você não é tudo. Você não é normal. Não é permeável. Não é concreto. É difícil, muito difícil. É incontrolável e insaciável. É um sofrer corruptível e uma negligência idônea. Você é próprio. E você conseguiu. Você contou a história que te contaram. Agora é a hora de esperar. Seguir e esperar. Por que você é persistência, mas não é embriaguez. É felicidade e presente. É desapego e pecado. E principalmente, é sorte.

Oração das duas horas

Senhor, livrai-me da ganância, da inveja, do medo, da avareza e do perdularismo, do rancor, dos remorsos, da raiva, do ódio (amor reverso), do deboche, da negligência. Despertai meus olhos a esses sentimentos. Permiti-me percebê-los, aceitá-los e enfrentá-los. Nunca me deixai esquecer de que o propósito da vida é a evolução espiritual, e que a felicidade é o bônus, e está sempre nas pequenas coisas. Ajudai-me a diferenciar sempre o sonho da realidade, e concedei-me sabedoria para lidar com a insatisfação. E principalmente, obrigado por tudo que tenho e tive.

Meu Mentor


"A Janela Aberta" de Henri Matisse

Um som. Uma nota. Acordes que atravessam as entranhas. A dualidade – e responsabilidade – de ser matéria e energia. Não é no livro do tempo que escrevo minha vida. São folhas perdidas, muitas vazias, muitos rabiscos. Eu tive um bom professor.

Houve um dia em que pensei estar definhando. A luz do ambiente mudou quando me lembrei de você. Meu olho se encheu d’água. Quando te conheci você me recriou do pó. Eu me tornei esse homem que sou por sua causa. Não lhe culpo pelos meus erros, nem lhe credito pelos meus acertos. Mas a forma com a qual lidei com ambos – isso é um mérito que confiro a você. 

Sei que hoje está longe. Ou talvez nem tanto. Mas provavelmente não tem aquela urgência de cuidar da gente, de chegar na janela só pra saber se tá tudo bem. Pois eu digo que está tudo bem. O que me faz acreditar que você existe além do que já existiu não é discutível. É a minha fé de saber que está ajudando outras pessoas – por que sua alma é boa demais – que me traz alegria. Pois é quando penso em você que os sentimentos mais puros da minha infância retornam em enxurrada. E acreditar em você é mais sólido que qualquer outra coisa na minha vida, é minha crença.

Você me ensinou muita coisa. E é incrível saber que se não fosse por você, eu provavelmente teria feito escolhas extremamente opostas. Não sei se as fiz corretamente, entretanto. Porém estou certo de que meu caráter você ajudou a formar. Hoje há você nos meus livros, nas minhas músicas, em tudo.

Sinto falta de notícias mais regulares, confesso. Não é mais com tanta frequência que acordo de uma visita sua, com aquela fadiga de viagem longa, com os nervos à flor da pele, como se houvesse experimentado o êxtase. Eu me lembro sim da última vez em que me visitou; acordei com aquela certeza estúpida de que você me mandara perseguir os meus sonhos, nunca largá-los. Só fiquei na dúvida se era Deus ou você mesmo, mas isso não vem ao caso.

Agora não preciso, mas gosto de atualizações. Ainda não me disseram se você está com ela, embora alguns estejam certos disso. Qualquer dia desses me conta se sua filha está bem, se já lutou contra o Golias, se já descobriu as respostas que ela tanto ansiava em vida, se já aprendeu a voar. Meu coração aperta, ainda há uma incerteza, uma dúvida, uma preocupação esquisita. Não é a mesma paz. E você sabe que por aqui não vamos acalmar enquanto não sentirmos a mesma paz que sentimos em relação a você.

baru

Aflição


Meu caro, por que te agrada tanto julgar teus adversários? Tens frio no estômago – te sentes à vontade, todos temos – ao pensar que em terras nem tão distantes pessoas reuniram-se em teu nome para caluniá-lo. Por que te importas tanto, se fazes o mesmo?

Jovem, na chuva só permanecem secos aqueles acima das nuvens. Tu não hás aprendido a voar ainda, e nunca irás. Como te conheço e te sei: amas o discurso do teto de vidro. Tu deixas que vivam, que pensem, que matem. E ainda assim há mistérios que atormentam teu coração. Assuntos sem sentido. Nunca entendeste por que teus companheiros estudam, trabalham, constroem família. Nunca compreendeste por que gastam tanto em tão pouco tempo. Pra ti, é nos hospícios que vivem os ajuizados. "Vós de fora é que sois loucos. Viveis sob os mandamentos que vós mesmos haveis inventado. E defendestes a liberdade de viver sob eles, loucura!", vociferas esperançoso na multidão silenciosa. Diga-me amigo, o que importa se foste feliz ou triste, se morreste afinal?

Às vezes partilho de tua angústia. Tu és um filósofo aflito, sei que não vês significado nas singelas coisas. Não abstrais motivo algum daqueles que vão à luta por paixão a uma bandeira, num campo de batalha ou num estádio de futebol. Não enxergas o poder daqueles que definem o que deveis e não deveis fazer com vossos corpos. E não sabes por que um supera e outrem não.

Entretanto não são os enigmas alheios que te incomodam mais, são os teus. Por que transferes tua culpa? Ponderas se é algum vício, essa coisa. E por que tens necessidade de responsabilizar o próximo pelo teu sucesso ou pelo teu fracasso?

Sossega esse teu espírito. Pois a única coisa que compreenderás no final desta história é por que vieste. Vieste por que gostas de sofrer.